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Acolhimento e fortalecimento marcam encontro com mães atípicas em Jaboatão

Na tarde desta quarta-feira (26), o auditório da UniFG, em Jaboatão dos Guararapes, foi palco de um encontro marcado pela escuta, empatia e valorização do cuidado. Com o tema “Simplesmente Mulher: resgatando o autocuidado por trás do cuidado”, a palestra reuniu mães e cuidadores de pessoas com deficiência e com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo reflexões sobre saúde emocional, sobrecarga e a importância de olhar para si. 

A iniciativa integra as ações do Programa de Políticas Públicas Sociais (PPS), que tem como foco o fortalecimento de vínculos e a promoção de qualidade de vida para famílias em situação de vulnerabilidade. A programação contou com acolhida, momento cultural, palestra principal conduzida pela gerente de Saúde Mental do município, Paula Ferreira, e encerramento com confraternização. 

A gestora do PPS, Andréa Medeiros, trouxe uma fala acolhedora, destacando a necessidade de cuidar de quem cuida: “Ser mãe atípica é exercer diariamente um amor que exige força, resiliência e entrega. Mas é fundamental lembrar que o autocuidado não é um luxo, é uma necessidade. Quando uma mãe se cuida, ela se fortalece para continuar cuidando. Nosso compromisso é garantir que essas mulheres tenham apoio, escuta e acesso a políticas públicas que respeitem suas realidades e promovam dignidade.” 

Entre as participantes, histórias de desafios e superação reforçaram a importância de espaços como esse. A dona de casa Andrea Costa, mãe de uma jovem de 19 anos diagnosticada tardiamente com TDAH e autismo, destacou a relevância do encontro: “Eu acho o evento ótimo, porque a gente precisa de ajuda, de momentos para si. Muitas vezes me sinto impotente diante das dificuldades e sinto falta de apoio. Estar aqui hoje é importante para perceber que não estou sozinha.” 

Já Itamara Pinheiro, mãe de um menino autista e hiperativo de 5 anos, relatou as dificuldades enfrentadas desde o nascimento do filho, incluindo a impossibilidade de manter um emprego formal: “Desde que meu filho nasceu, não consigo trabalhar. Divido os cuidados com minha mãe, e só. Por isso, momentos como esse são tão importantes. Hoje foi um momento para mim, para me olhar e me respeitar. Eu me senti acolhida.” 

A realidade dessas mulheres reflete um cenário comum entre famílias atípicas, em que a sobrecarga recai, majoritariamente, sobre as mães. Além das demandas intensas de cuidado, muitas enfrentam isolamento social, desgaste emocional e falta de suporte institucional. 

A palestra buscou justamente romper esse ciclo, promovendo um espaço de troca, fortalecimento emocional e incentivo à construção de redes de apoio. A proposta vai além da sensibilização: trata-se de reconhecer essas mulheres como protagonistas de suas histórias, reafirmando seus direitos ao cuidado, à saúde mental e à qualidade de vida. 

O encontro reforça a importância de políticas públicas que ampliem o suporte às famílias atípicas, garantindo não apenas assistência, mas também acolhimento e valorização. Mais do que um evento, a ação representou um passo significativo na construção de uma rede mais humanizada, empática e inclusiva.

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