O vereador Eduardo Moura (Novo) criticou, nesta terça-feira (12), na Câmara Municipal do Recife, o que classificou como uma crescente fragmentação das políticas públicas em debates sobre segurança, violência e preconceito. As declarações ocorreram durante discussões sobre propostas relacionadas ao enfrentamento da intolerância racial e religiosa e à criação de uma semana municipal de conscientização voltada às mulheres ciclistas.
Ao se posicionar sobre o requerimento da vereadora Cida Pedrosa, que propõe a criação da Brigada Marta Almeida de Enfrentamento ao Racismo e à Intolerância Religiosa no âmbito da Guarda Municipal, Moura afirmou ser totalmente favorável ao combate ao racismo e a qualquer forma de preconceito, mas questionou a capacidade operacional da estrutura municipal diante da limitação de efetivo e recursos.
“A nossa polícia municipal já não tem o efetivo necessário para cuidar do que já existe”, afirmou o parlamentar.
Segundo Eduardo Moura, o principal desafio da segurança pública municipal hoje é estrutural. O vereador defendeu o aumento do efetivo da Guarda Municipal — que ele chama de polícia municipal — e afirmou que a ampliação de brigadas e patrulhas específicas precisa vir acompanhada de capacidade operacional.
O vereador ainda defendeu que políticas educacionais tenham papel central no enfrentamento ao preconceito e à violência, embora reconheça que os resultados são de longo prazo.
Já durante a discussão do Projeto de Lei da vereadora Professora Ana Lúcia, que cria a Semana Municipal de Conscientização, Prevenção e Combate ao Assédio e à Violência Contra Mulheres Ciclistas, Eduardo Moura voltou a questionar a eficácia da criação de campanhas segmentadas por grupos específicos.
“Não é melhor colocar uma semana de prevenção, combate e educação contra a violência? Inclui todo mundo”, questionou.
Na avaliação do parlamentar, o excesso de subdivisões em campanhas públicas acaba reforçando separações dentro da própria sociedade.
“Depois dizem que querem uma sociedade mais unida. Como, se a gente mesmo separa?”, afirmou.
Eduardo Moura argumentou que o combate à violência precisa combinar educação e presença efetiva das forças de segurança.
“Educação é o primeiro ponto. Mas o resultado só vai vir daqui a 30 anos. Enquanto isso, tem que ter combate. E o primeiro ponto do combate é efetivo para fiscalizar”, declarou, ao citar que Recife possui cerca de 1,5 mil agentes para uma população aproximada de 1,5 milhão de habitantes.
Ao concluir a fala, o vereador defendeu que o poder público abandone divisões identitárias e trate segurança e violência como problemas universais.
“Eu não vejo branco, negro, pobre. Eu vejo gente. Eu não vejo mulher, homem, homossexual. Eu vejo gente, pessoas. Repito: se a gente trata a violência, a gente trata para todo mundo: para o negro, para o branco, para o moreno, para o índio, para o caboclo, para o pobre, para o rico, para o mais ou menos, para o devedor, para o lascado. A gente vai tratar a violência contra heterossexual, homossexual, transexual, LGBTQIAP. São pessoas, é gente”, declarou.
“Eu acho que nós, que tivemos a honra de termos a confiança das pessoas para representá-las, precisamos dar esse exemplo de desarmar a sociedade nessas diferenças que são criadas”, concluiu.
