Neste domingo, a Ilha do Retiro foi muito além de palco de um dos maiores clássicos do Estado. Durante a partida entre o Sport Club do Recife e Clube Náutico Capibaribe, o futebol se uniu a uma causa urgente e profundamente humana: lembrar que, para muitas famílias pernambucanas, ainda falta alguém em casa.
A mobilização fez parte da campanha “Esse time precisa voltar pra casa”, realizada pela Federação Pernambucana de Futebol em parceria com o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência, além da Secretaria de Esportes e da Criança e Juventude.
Desde os portões principais de acesso ao estádio, torcedores receberam panfletos com orientações e o número do Disque 100, reforçando que denunciar é um ato de proteção. Cada material entregue era também um convite à reflexão: por trás de cada número, existe uma história, um quarto arrumado à espera, uma família que não perde a esperança.
Dentro de campo, a imagem foi impossível de ignorar. Pequenas cadeiras dispostas no gramado, acompanhadas de brinquedos, simbolizavam as crianças que ainda não voltaram para casa. Representações delicadas de ausências que continuam presentes na memória e no coração de quem espera.
Os jogadores entraram em campo vestindo camisas com o Disque 100 estampado e a frase “Toda ausência tem um nome”. Uma mensagem direta, simples e poderosa. Ao redor do gramado, uma faixa com o slogan da campanha reforçou o apelo. Nos alto-falantes do estádio, um alerta foi ouvido por milhares de torcedores, enquanto o painel acima da arquibancada exibia, em destaque: “Esse time precisa voltar pra casa”.
O momento ganhou ainda mais significado com a entrada de crianças em campo, segurando as bandeiras de Pernambuco e da Federação Pernambucana de Futebol, também vestindo camisas com o slogan e o número do Disque 100. Um gesto simbólico que lembrou a todos que proteger a infância é responsabilidade coletiva.
Para a secretária da SJDH, Joanna Figueirêdo, a ação traduz o compromisso do Estado com a prevenção e o enfrentamento ao desaparecimento de crianças e adolescentes.
“Quando falamos que esse time precisa voltar pra casa, estamos falando de vidas reais. De mães, pais, avós e irmãos que convivem diariamente com a ausência. Usar a força do futebol para ampliar essa mensagem é uma forma de dizer a essas famílias que elas não estão sozinhas. Essa ação reforça o compromisso da governadora Raquel Lyra com os direitos humanos.”
O diretor de competições da Federação Pernambucana de Futebol, Gustavo Sampaio, também destacou a importância da mobilização.
“O futebol mobiliza multidões e emociona. Se podemos usar essa força para salvar vidas e ampliar a conscientização, então estamos cumprindo um papel que vai muito além das quatro linhas.”
